Cidadania: mulheres de Lagoa Seca saem às ruas para denunciar violência, fazem alerta sobre casos de estupros na cidade e cobram mais segurança para o município

Na manhã desta quarta-feira, 07 de setembro, sociedade civil organizada de Lagoa Seca, município localizado na região metropolitana de Campina Grande, distante 129 km de João Pessoa, saiu às ruas para protestar contra o clima de insegurança reinante no município, principalmente dos vários casos de estupros contra mulheres registrados nas últimas semanas. Homens, estudantes e profissionais liberais se juntaram à manifestação e seguiram juntos num verdadeiro ato cívico de cidadania e promoção humana.

Para alertar sobre os casos de estupros registrados nos últimos dias, mulheres vestiram camisas pretas e saíram em passeata pelas principais ruas da cidade para cobrar das autoridades a prisão de um maníaco que vem atacando mulheres em plena luz do dia. Dois casos já foram registrados em Lagoa Seca e o destacamento de polícia local está em alerta para prender o suspeito.

O ato será encerrado em frente à Delegacia de Polícia, com falas dos participantes.

O crime de estupro é uma realidade em nosso país, alerta Karla Katiuscia Demétrio, uma das organizadoras do protesto. Segundo a ativista, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada neste país. São 130 mulheres estupradas todos os dias. E isso [são] dados subnotificados, porque as pesquisas mostram que apenas 10% das mulheres violentadas e estupradas têm coragem de denunciar. E apenas 35% das mulheres que apanham dos seus companheiros têm coragem de denunciar. E os números não param por aí: 70% dessas vítimas de estupro são crianças e adolescentes, mais de 80% do sexo feminino, afirmou.

Karla defende uma mudança no Código Penal e espera que a pena seja aumentada para quem pratica esse tipo de crime. “Além do ato em si, que já é violento, os danos psicológicos ficam para o resto da vida, e aí, não existe pena maior para uma mulher quando é violentada”, disse.

Para Vera Lúcia, conselheira tutelar de Lagoa Seca, o ato público, organizado pela mulheres, serviu para fazer um chamamento às autoridades competentes, no sentido de alertá-los sobre os atos de violência praticados contra as mulheres, principalmente, crime de violência sexual. "Infelizmente estão tolhendo o direito de ir e vir de nossas adolescentes e jovens (meninas) que não podem mais andar nas ruas, ou ir para às escolas, as igrejas e/ou o trabalho. Crimes de estupros vem acontecendo e também já aconteceu no passado aqui na cidade e até agora nenhuma providência foi tomada.  Daí nossa indignação e nossa revolta. Para isto, este dia 07 de setembro foi marcado como um dia de luto e protesto contra esse bárbaro crime contra a mulher. Esperamos que as autoridades competentes escutem o nosso grito", alertou a conselheira.

De forma voluntária, várias pessoas - a maioria mulheres de todas as camadas sociais -, e representantes de algumas entidades de classe da sociedade civil organizada de Lagoa Seca participaram da manifestação, como SINTAB, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Conselho de Direitos da Criança e Adolescentes, Conselho Tutelar, CRAS, CREAS, estudantes, agentes comunitários de saúde, professores e representantes de secretarias municipais, além de Igrejas, escolas, entre outros.  

O chamamento e mobilização para o ato aconteceu a partir das redes sociais. A Rádio Ypuarana FM colaborou na divulgação do evento.

A comissão organizadora do ato, através de Karla Katiuscia, nas redes sociais, emitiu nota agradecendo a participação de muitas pessoas da comunidade. "Queremos agradecer carinhosamente cada pessoa que se desprendeu de suas atividades pessoais e vestiram nossa camisa da indignação; foram lindos momentos, testemunhos de vítimas e momentos de emoção. Além de tudo isto ficou nosso recado: que não aceitamos situações de omissão e/ou inoperância de que órgão ou instituição for, pois, estaremos sempre aqui de olho em todos os acontecimentos. E a luta não pára... continuemos lutando, orando e agindo para que este ou estes indivíduos sejam presos o mais rápido possível. Nosso muito obrigado".

Da redação

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