Partilha e estudos no Encontro Irmãos Leigos da Província de Santo Antônio do Brasil acontece no Convento Ipuarana de Lagoa Seca

“Eu cheguei aqui em 1950. A Fraternidade era muito grande. Frei Pedro me colocou na mecânica. Ele disse: Eu vou botar você, mas não vá embora não. Eu disse: Frei, eu vou passar 50 anos aqui. Depois que fui transferido para outros lugares, voltei em 1966. Este ano faz de 50 anos que vivo em Ipuarana”. O relato de Frei Anésio Gomes, OFM foi um dos muitos que se ouviu na partilha do Encontro de Irmãos Leigos da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, realizado nos dias 23 e 24 de julho, em Lagoa Seca, Agreste da Paraíba.

Frei Anésio Gomes, no Convento Ipuarana
O pernambucano Frei Anésio era o responsável pelas instalações do antigo Colégio de Ipuarana. Além disso era motorista, fazia as compras do Convento, cuidava do sítio e criava galinhas, de onde tirava uma parte do sustento para a Fraternidade. Hoje atua como sacristão do Convento. A história de Frei Anésio é uma das muitas de dedicação e serviço dos Irmãos Leigos da Província, que hoje exercem também outros serviços pastorais e profissionais.

A partilha da vida de cada irmão é sempre o momento salutar em cada encontro. Assim os frades irmãos expõem suas alegrias, inquietações, esperanças e desafios que surgem na vivência do Evangelho. Foram quinze irmãos que, reunidos no Convento de Ipuarana, celebraram sua vocação e missão de ser menores nas realidades para as quais foram enviados. No cuidado com os enfermos, na comunicação, no serviço de guardião, no estudo, no serviço de escuta e de formação de lideranças, nas paróquias, cada irmão descobre um chamado do Senhor. O Ministro Provincial, Frei João Amilton, e o Vigário Provincial, Frei Sérgio Rodrigues, também marcaram presença nas partilhas.

Para aprofundar ainda mais esta vocação, foi proposto o estudo do Documento da Identidade e Missão do Irmão Religioso na Igreja, lançado no final do Ano da Vida Consagrada, em fevereiro deste ano. Da exposição do documento, realizada por Frei Wellington Buarque, ressoou a dimensão da fraternidade, tão marcante ao carisma franciscano, como fundamental daquele que se propõe ser um religioso irmão. A vocação é dom dado por Deus para ser vivido na convivência e exteriorizado a serviço do povo. Segundo Frei José Gilton, OFM, da Fraternidade de Penedo, AL, a grande novidade não foi tanto o conteúdo do documento, mas a atenção dada ao tema pelo Magistério da Igreja, que escreveu algo sobre a vocação religiosa masculina laical, permitindo assim um maior aprofundamento a partir de então.

Para Frei Ronaldo César, da Fraternidade do Recife, PE, o estudo serviu para reafirmar muita coisa que a Ordem Franciscana vem propondo com relação aos irmãos leigos. Sobre o encontro, Frei Ronaldo destaca que, “apesar da falta de boa parte dos irmãos, pudemos reforçar os laços fraternos, procurando aproveitar o máximo para fortalecer a fraternidade e refletir a nossa missão como irmãos na Ordem, na Igreja e na sociedade”.

Por Frei Marcos Carvalho, OFM

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