Nas ruas e nas redes sociais: votação do impeachment no Senado divide opiniões em Lagoa Seca

Desde o recebimento da denúncia, na Câmara dos Deputados, o processo de impeachment será votado nessa quarta-feira, 11, no Senado Federal. Diante desse cenário histórico na política brasileira, os lagoasequenses acompanham a sessão (que já começou) pela televisão, pelas redes sociais e pelos sites de notícias para acompanhar toda movimentação em Brasília e, finalmente, saber o desfecho desse embrolho que movimenta a cena da política brasileira dos últimos meses. Nas ruas, as opiniões dos moradores são as mais diversas, demonstrando com isso que ela está dividida. Em um dia histórico como hoje, quase todo mundo já tem opinião formada sobre o processo que vai mudar os rumos políticos do Brasil e, seja qual for o resultado, deixará marcas indeléveis na nossa história. 

No bairro do Bela Vista, o morador da comunidade, desportista J. Hermano, diz que se mantém informado pela internet e pelas redes sociais de tudo o que está acontecendo sobre o processo de impedimento da presidente Dilma. Ele acredita que a atual presidente cometeu erros e merece ser punida. "A partir do momento que ela deve, tem que pagar. Ela cometeu muitos erros administrativos e deve ser punida. A justiça deve ser feita para qualquer um. Se um menino rouba uma bala, ele é punido. Com ela não pode ser diferente", diz Hermano.

Do outro lado da cidade, no bairro do Anacleto, a doméstica Terezinha Costa, diz que tem acompanhado atentamente o processo pela televisão e rádio, mas se sente pessimista sobre os resultados. "Eu sou contra tudo que estão fazendo. Acho desnecessário porque ninguém que colocarem ali vai ser melhor do que ela. Dilma deu oportunidade pra muita gente, ajudou muitos pobres", afirma. 

A descrença com a política em geral também dá o tom das ruas. Vários moradores de Lagoa Seca, cidade com mais de 28 mil habitantes, localizada na região metropolitana de Campina Grande, reflete definitivamente a divisão do país, quando o assunto é a crise política em passa o Brasil no momento atual.

Com 90 anos e bastante lúcido, o senhor Omar Ventura, servidor público aposentado diz que vê no Senado uma oportunidade para "que a justiça seja feita", mas brinca que, se pudesse "tiraria todos eles de lá: o presidente da Câmara, do Senado e da República. Todos deveriam ser cassados", acredita. Geraldo Felipe, de 52 anos, fotógrafo profissional, engrossa o coro e diz que demonstra convicção sobre a votação no Senado. "Hoje é certeza que ela sai e não volta mais", diz. 

Na internet, refletindo a polarização política que acontece no Brasil desde as eleições de 2014, as manifestações e opiniões mais acirradas da população lagoasequense - cidadãos contrários e favoráveis ao impeachment - acontecem nas redes sociais - quer seja no Facebook, Twitter ou em grupos do Watzap, demonstrando que o espaço cibernético é amplamente democrático. Nessas plataformas, a política local e temas de interesse comum, ocupam também opiniões diversas e muito 'bate boca', em especial, entre àqueles mais apaixonados por algum grupo político local.

A sessão, que teve início na manhã desta quarta-feira, 11, está dividida em três blocos, sem hora para terminar. No último bloco, aconteceu a manifestação do relator da Comissão do Impeachment, senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), e do advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo.

Se a maioria votar "sim", pela continuidade do processo, a presidenta será afastada por um período de até 180 dias, durante os quais o país será governado pelo seu vice, Michel Temer (PMDB-SP), até que o processo seja concluído.

Da redação

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