Convento Ipuarana, que abrigou o antigo Colégio Seráfico de Santo Antônio completa 75 anos nesta quarta-feira (28)

A comunidade franciscana do Nordeste, em especial a de Lagoa Seca comemora, nesta quarta-feira (28), 75 anos de fundação do Colégio Seráfico Santo Antônio (Convento Ipuarana). Uma missa será celebrada pelos religiosos residentes na casa religiosa para comemorar a data. No dia 15 de fevereiro, domingo de carnaval,  está marcado o encontro dos ex-alunos franciscanos do Ipuarana. Dentro da programação, acontecerá o lançamento do livro Ipuarana 75 anos, organizada pelo professor Félix de Carvalho, que integra a comissão editorial com Benedito Siqueira Martins e Raimundo de Oliveira. Cerca de 120 ex-alunos e seus familiares, oriundos de quase todos os Estados do Nordeste, além de Brasília, Amazonas, São Paulo e Rio de Janeiro são esperados para o evento.

"(...) Surgia, assim, o Colégio Seráfico de Santo Antônio, em Ipuarana (ou Ipauarana, hoje, Lagoa Seca, nas proximidades de Campina Grande, numa das colinas mais bonitas da Serra da Borborema. A 28 de janeiro de 1940 - em plena Guerra - o Senhor Arcebispo da Paraíba, Dom Moisés Coelho, procedia à Bênção da primeira Pedra, com a presença do Clero de Campina Grande, do representante do Interventor Federal Argemiro de Figueiredo, do Prefeito de Campina Grande, Bento Figueiredo, e de uma multidão de moradores de Lagoa Seca e dos sítios vizinhos."

Saiba, agora, como essa história começou, conforme escritos do  Frei José Milton de Azevedo Coelho, OFM, ex-aluno do Ipuarana. Segundo ele, a solução definitiva para o problema das vocações franciscanas só viria com a fundação de um grande seminário, que terminou se consolidando em Lagoa Seca. Naquela época, esse seria o mais grave desafio que se apresentava aos Restauradores da Província Franciscana de Santo Antônio, ou seja, florir novas vocações em terras nordestinas.

Desde o reconhecimento pela Santa Sé, em 1901, da autonomia da Província Franciscana de Santo Antônio restaurada, que se faziam tentativas vocacionais no intento de arregimentar vários jovens para a vida franciscana consagrada. As três primeiras décadas (1901 – 1939) desse renascimento foram marcadas pela busca de vocações brasileiras. Assim, houve várias experiências de abertura de um “Colégio Seráfico”, assim vejamos: o Colégio Seráfico de Salvador, BA (a 4 de fevereiro de 1900); o Colégio Seráfico de S. Cristóvão, SE, para onde foi transferido o de Salvador, a 15 de fevereiro de 1903; o Colégio Seráfico de Olinda, em 1904, foi também de curta duração; pouco tempo depois foi transferido com seus professores Frei Pascoal Reuss e Frei Ciríaco Hielscher para a Colônia de Blumenau, no Estado de Santa Catarina. Outra tentativa se deu com a abertura do Colégio Seráfico de Vila de São Francisco, no Recôncavo baiano, para onde foi mudado em 1908, o de São Cristóvão.

Nessa luta incessante da Província Franciscana de Santo Antônio na busca de novas vocações, a partir de 1929 houve fundações vocacionais de maior porte, como o Colégio Seráfico de Santo Antônio, com curso ginasial (João Pessoa, PB, 1929-1940) e o Colégio Apostólico Diocesano-Seráfico de Canindé, CE, a partir de 1923 ao qual se agregou o Juvenato São José para formação dos Irmãos leigos franciscanos(transferido para Penedo, AL, em 1970). Em vésperas de completar 70 anos, fechou as portas o Colégio Diocesano-Seráfico, como aconteceu a tantos outros seminários do Brasil. Anexo ao Convento franciscano funcionou uma escola Apostólica para enviar alunos a Ipuarana.



Outros colégios se sucederam, como as escolas com curso primário: Escola Apostólica de São Pedro Gonçalves (João Pessoa, 1941-1960); a Escola Apostólica Dom Frei Eduardo (Paripe, BA, 1940-1942); a Escola Apostólica Frei Camilo de Lelis (Penedo, AL, 1943-1845); a Escola Apostólica de São José (Tianguá, CE, 1940-1960); a Escola Apostólica de Canindé; a Escola Apostólica de São Boaventura (Triunfo, PE, 1947-1960).

Colégio Seráfico de SANTO ANTÔNIO de Ipuarana (1939 – 1971

O Congresso Definitorial de janeiro de 1939 criara uma comissão integrada pelo Ministro Provincial Frei Humberto Triffterer, Frei Matias Teves e Frei Norberto Holl para estudar o plano de ação. No dia 4 de agosto de 1939 Frei Pedro Westwemann e Frei Matias se deslocavam para Lagoa Seca quase sem esperança e “quase unicamente movidos pela responsabilidade”, como escreve Frei Pedro em sua crônica. “Grande foi a surpresa – diz Frei Pedro - de encontrarem um local ótimo, com todas as condições desejadas, no lugarejo de Lagoa Seca, à época também chamado de Ipauarana. Em 26 de setembro de 1939 era realizada a compra do terreno por 9 contos de réis (correspondendo à metade do preço, porque um dos proprietários renunciara à sua parte em benefício dos frades)”. Frei Pedro foi a pessoa escolhida para dirigir os trabalhos de construção. Ele mesmo elaborou um, anteprojeto, que foi desenvolvido por um arquiteto do Recife, Heitor Maia Filho. A 28 de novembro de 1939, uma terça-feira, Frei Pedro e Frei Lamberto [Hoetting, falecido na Alemanha no dia 16 de fevereiro de 1978, com 48 anos de vida religiosa] mudaram-se para o local a fim de dar início aos trabalhos, e a eles associou-se, no mês de janeiro, Frei Manfredo, estes três constituindo a primeira comunidade franciscana de Ipuarana.

Surgia, assim, o Colégio Seráfico de Santo Antônio, em Ipuarana (ou Ipauarana, hoje, Lagoa Seca), nas proximidades de Campina Grande, numa das colinas mais bonitas da Serra da Borborema. A 28 de janeiro de 1940 - em plena Guerra - o Senhor Arcebispo da Paraíba, Dom Moisés Coelho, procedia à Bênção da primeira Pedra, com a presença do Clero de Campina Grande, do representante do Interventor Federal Argemiro de Figueiredo, do Prefeito de Campina Grande, Bento Figueiredo, e de uma multidão de moradores de Lagoa Seca e dos sítios vizinhos.

Em 22 de março de 1941, a construção já estava em condições de abrigar os primeiros alunos, não os do curso secundário, a que era destinado, mas sim de duas classes preparatórias, num total de 19 meninos, sob os cuidados de Frei Gervásio Michels [falecido em Canindé, no dia 5 de deembro de 1994, com 57 anos de sacerdócio] e Frei Artur. O religioso foi o último a não abandoná-lo, permanecendo no Convento Ipuarana até o dia do seu falecimento, que ocorreu no dia 18 de março de 2006. No final do ano, 11 destes alunos foram promovidos ao 1º Ano Secundário (entre eles, Simão Arruda - o “Frei Felício” -, primeiro aluno na matricula - e João Poluca, o “Frei Roberto”). Aí, nordestinos de todos os rincões, se preparavam para a entrada na Ordem Franciscana.

Quase 1.500 alunos passaram por Ipuarana nos 30 anos de sua existência como seminário. Destes, apenas 72 chegaram ao sacerdócio; 30 perseveraram na Ordem, dos quais alguns já faleceram; 11 se ordenaram para o clero diocesano (padres seculares) dos quais um é bispo e outro é beneditino.

Mas não se pode fugir à eterna e indefectível pergunta: por que o Seminário de Ipuarana teve que fechar? [...] É bom lembrar que, a essa altura, todas as Escolas Apostólicas já haviam sido extintas: Triunfo, Tianguá e João Pessoa.

E muitos seminários seculares e de outras ordens religiosas também já haviam fechado. Não existiam mais fontes param fornecer inquilinos para Ipuarana, nem Ipuarana possuía um sistema de recrutamento próprio, resultando daí que foram aceitos candidatos sem uma melhor seleção e preparo, só com o objetivo de se chegar a um número razoável. Boa parte dos frades, sobretudo os mais novos, já não acreditavam mais em seu sistema vocacional.

A direção da província, depois de debater a situação com os educadores, ainda pediu o parecer por escrito de cada um. Todos foram unânimes em que, ao menos por enquanto, não tinha sentido o Seminário de Ipuarana continuar funcionando. Na opinião dos últimos professores, os alunos estavam sendo antes prejudicados que favorecidos pelo ambiente do Colégio. E o Definitório, de 3 de dezembro de 1971, resolveu fechar por algum tempo o Seminário e “instituir uma Comissão Especial para estudar o que fazer, no futuro, com o Colégio Seráfico, excluída a possibilidade de deixá-lo sem aproveitamento”.

Hoje a prova mais importante de que Ipuarana continua viva pode ser encontrada no bom número de seus ex-alunos que continuam atuando e dando o seu testemunho da vocação religiosa, como frades e sacerdotes na Província de Santo Antônio.

“Mas nem seus ex-padres deixam de contar pontos para Ipuarana, seja pelo tempo em que trabalharam como sacerdotes e religiosos (não raro eles foram bons sacerdotes e religiosos - e o bem que foi realizado ninguém pode apagar), seja como os demais ex-alunos, quando por sua vida profissional e familiar dão em seu ambiente um testemunho de fé cristã e franciscanismo. Concluindo - escreve Frei Hugo - podemos afirmar que o Seminário de Ipuarana representou para a Província de Santo Antônio um marco de singular importância em sua obra de restauração”.

De maneira prática e harmoniosa, à nova realidade do antigo Colégio Seráfico Santo Antônio, para manter-se aberto e funcionando, transformou-se num Centro de Treinamento e Encontros. Dessa forma, o Convento Ipuarana continua vivo, radiante e eclético, recebendo, durante o ano todo, vários tipos de eventos, para aonde acorrem diversas pessoas do país inteiro e de várias partes do mundo.

Com redação

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