Saúde de Lagoa Sena na UTI: além da falta de gases, água destilada, analgésicos e até soro fisiológico, salários também estão atrasados...

A situação de descontrole financeiro da gestão do atual prefeito de Lagoa Seca, Tadeu Sales de Luna, indiscutivelmente, tem assustado até mesmo os vereadores que fazem parte da base de sustentação do gestor na Câmara de Vereadores.

Na última sessão plenária da Casa de Napoleão Coutinho, todos os parlamentares cobraram explicações do chefe do Poder Executivo sobre o atual quadro de insegurança financeira da Prefeitura Municipal.

Com os salários atrasados, os funcionários do Hospital Municipal Ana Maria Coutinho Ramalho – única unidade de pronto atendimento da cidade – decidiram cruzar os braços. O movimento paredista foi uma forma encontrada pela categoria de pressionar o governo em quitar os salários do mês de novembro que ainda não foram liberados. Apenas situações de urgência e emergência estão recebendo os primeiros atendimentos e encaminhados para Campina Grande. A paralisação atinge médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem.

Não bastasse o atraso nos salários dos servidores, os fornecedores da PMLS também cortaram o atendimento oferecido ao governo de Tadeu do Supermercado. O que mais chamou a atenção nessa semana foi à interrupção no abastecimento dos veículos da frota. “Na última quinta-feira, 11, os postos de saúde da zona rural não funcionaram porque os profissionais não foram transportados pela prefeitura até as comunidades. Segundo informou uma fonte, "o motivo foi a falta de combustível nos veículos da secretaria de saúde”.

O mesmo aconteceu no Hospital Ana Maria Coutinho Ramalho. Atualmente, a Prefeitura de Lagoa Seca possui três ambulâncias, sendo que duas estão quebradas há mais de oito meses e a única que permanece atendendo a comunidade também parou porque não tinha gasolina. “Ela ficou a noite inteira aqui parada na frente e o motorista dormindo. Não tem gasolina nem pra ir ali à esquina, estamos torcendo para que não ocorra nada grave, caso contrário, o paciente pode morrer aqui na porta do hospital” declarou um técnico de enfermagem da unidade de saúde.

Além do problema de estrutura, com o a falta de combustíveis, o hospital tem graves necessidades no atendimento das pessoas. Relatos feitos pelos próprios médicos confirmam a falta de suplementos básicos como gases, água destilada, seringas, analgésicos e até soro fisiológico.

A situação tem revoltado os moradores da cidade. Alguns chegaram a publicar críticas a gestão nas redes sociais. Uma das que chamou mais atenção foi à feita pela agente comunitária de saúde, Adilânia Alves (veja ao lado). No texto escrito em sua página no Facebook ela fala em Nepotismo e falta de compromisso com o dinheiro público.

Além dos veículos oficiais, os transportes locados para realizar trabalho de transporte de doentes transplantados ou portadores de doenças crônicas como câncer, também foram suspensos essa semana por falta de pagamento. "Meu pai precisa fazer hemodiálise no Hospital da FAP em Campina Grande quase que diariamente. Ontem, eles foram deixar e não foram buscar. A justificativa do motorista foi porque a ordem dada era para suspender os trabalhos até que a prefeitura pague os débitos" comentou a filha de um dos doentes.

Até agora, a Prefeitura de Lagoa Seca tem adotada a postura de silêncio. Nem o prefeito, nem nenhum dos seus secretários se pronunciaram sobre a situação. A gestão também não divulgou o calendário de pagamento do 13º salário e o mês de dezembro dos servidores.

Por Márcio Rangel

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