No Dia Nacional da Cultura: cordelista Josafá de Orós lança “Pequena História de Lagoa Seca em Cordel”...

A literatura popular fora de suas delimitações ganha a cada dia força em seus conceitos, especialmente a literaturara de cordel que é um gênero literário popular escrito frequentemente na forma rimada, originado em relatos orais e depois impresso em folhetos. O nome, portanto, tem origem na forma como tradicionalmente os folhetos eram expostos para venda, pendurados em cordas, cordéis ou barbantes.

No Nordeste do Brasil o nome foi herdado, mas a tradição do barbante não se perpetuou: o folheto brasileiro pode ou não estar exposto em barbantes. Alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, também usadas nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores, ou cordelistas, recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola, como também fazem leituras ou declamações muito empolgadas e animadas para conquistar os possíveis compradores.

Para perpetuar esse gênero literário, o poeta e cordelista Josafá de Orós lança, nesta quarta-feira, 05, a partir das 19h00, na Câmara de Vereadores de Lagoa Seca o folheto intitulado “Pequena História de Lagoa Seca em Cordel”. A atividade faz parte das comemorações do Dia Nacional da Cultura. No local haverá ainda apresentações de danças populares, palestra e exibição de filmes em curta-metragem.

"Resgatar um pouco da história de Lagoa Seca, a partir de poucos registros, foi, de fato, um grande desafio. Com o  modesto trabalho, espero contribuir com o fazer da cultura local e que essa pequena publicação possa chegar aos estudantes da rede municipal de ensino, assim como aos milhares de moradores de nossa multicultural cidade de Lagoa Seca", afirmou Josafá.   

O cearense Josafá de Orós, residente atualmente na estância Poiésis, zona rural de Lagoa Seca, além de cordelista é pintor, escultor, muralista, xilogravurista e produtor cultural. Na imprensa paraibana publicou dezenas de artigos e ensaios sobre estética, filosofia, sociologia, artes, entre outros. Poeta de grade estilo, frequentemente participa de vários certames literários com obras poéticas singulares de sua autoria.

Literatura de Cordel

A origem

A literatura de cordel teve início no século XVI, quando o Renascimento  passou a popularizar a impressão dos relatos que pela tradição eram feitos oralmente pelos trovadores. A tradição desse tipo de publicação vem da Europa. No século XVIII esse tipo de literatura já era comum, e os portugueses a chamavam de literatura de cego, pois em 1789, Dom João V criou uma lei em que era permitido à Irmandade dos Homens Cegos de Lisboa negociar esse tipo de publicação. No início, a literatura de cordel também tinha peças de teatro, como as que Gil Vicente escrevia. Esta literatura foi introduzida no Brasil pelos portugueses desde o início da colonização.

Como chegou ao Brasil?

Foi no século XVIII que a literatura de cordel chegou em nosso país. Durante o início da colonização os portugueses a trouxeram e aos poucos ela começou a se tornar popular. Há quem afirme que os folhetos foram introduzidos no Brasil pelo cantador Silvino Pirauá e em seguida pela dupla Leandro Gomes de Barros e Francisco das Chagas Batista. Inicialmente, quase todos os autores da literatura de cordel brasileira eram cantadores. Estes improvisavam os versos na hora que estavam cantando, viajavam pelas fazendas, vilarejos e pequenas cidades do Sertão.

Para os escritores desse gênero é possível ser o repórter dos acontecimentos, representante do povo, narrar as histórias de Lampião, de João Grilo, falar sobre histórias de amor. Nos dias atuais a região brasileira onde temos o foco da literatura de cordel é o Nordeste. Os folhetos ainda são vendidos em lonas ou malas estendidas nas feiras populares, ainda podemos encontra-los pendurados em cordões. Muitos escritores foram influenciados pela literatura de cordel, e entre eles temos: João Cabral de Melo, Ariano Suassuna, José Lins do Rego e Guimarães Rosa.

Características

A literatura de cordel possui algumas características bem peculiares, veja algumas das principais características desse gênero:
•          Suas ilustrações são feitas por xilogravuras;
•          Possui uma essência cultural muito forte, pois relata tradições culturais regionais e contribui bastante para a continuidade do folclore brasileiro;
•          São baratos e por isso atingem um grande público e isso acaba sendo um incentivo à leitura;
•          Quando os textos são considerados romances temos alguns recursos muito utilizados na narrativa, como: descrição de personagens, monólogos, súplicas, preces por parte do protagonista;
•          Suas histórias têm como ponto central uma problemática que deve ser resolvida com a inteligência e astúcia do personagem;
•          Sempre há um herói que sofre por não conseguir ficar com o seu amor, isso pode ser devido a uma proibição dos pais, noivados arranjados, coisas que impedem que o casal de ficar junto;
•          No final da história, o herói sempre sai ganhando, caso ele não consiga realmente o que queria há outra forma de equilibrar a história e fazer com que ele seja favorecido de alguma forma.

A poética do cordel

•          Quadra - uma estrofe de quatro versos;
•          Sextilha - uma estrofe de seis versos;
•          Septilha - uma estrofe de sete versos, essa é a mais rara;
•          Oitava - uma estrofe de oito versos;
•          Quadrão - os três primeiros versos rimam entre si, o quarto com o oitavo e o quinto, o sexto e o sétimo também entre si;
•          Décima - uma estrofe de dez versos;
•          Martelo - estrofes formadas por decassílabos (estes são muito comuns em desafios e versos heroicos).

Com redação

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