Encontro Regional reúne em Lagoa Seca agricultoras e agricultores viveiristas e coletores de sementes do Polo da Borborema...

Agricultores e agricultoras de várias idades reuniram-se, nesta quinta-feira, 13, no Centro de Eventos Maristas, na cidade de Lagoa Seca, para o Encontro Regional de Cultivos Agroflorestais do Polo da Borborema. Trazer experiências bem sucedidas de outros agricultores e aprofundar o debate sobre a Rede de Viveiros do Polo da Borborema, foram alguns dos objetivos do encontro.

Uma mística com jovens agricultores deu início ao encontro. Foram trazidos para o centro do círculo elementos da natureza como: sementes, água, fogo e mudas. A conexão com a terra, tão natural entre os agricultores, foi relembrada e fortificada. Após isso, o primeiro momento do dia trouxe questionamentos aos agricultores. Primeiramente entender o papel fundamental que a natureza tem na vida da humanidade e também, uma maneira de despertar neles a consciência sobre os impactos da ação humana para o meio ambiente. O debate entre os agricultores e agricultoras foi norteado pela pergunta: de que forma o homem mexeu na natureza para produzir em seu favor e qual o resultado disso?

Visita à mata - Divididos em grupos de acordo com suas regiões, cerca de 50 agricultores e agricultoras visitaram a mata das proximidades do campus da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). O objetivo desse momento foi o de despertar a reflexão e o entendimento sobre como funciona o ecossistema daquele espaço. 

Acompanhados pelos técnicos da AS-PTA, os agricultores foram estimulados a pensar sobre temas como a fertilidade do solo, a ciclagem de nutrientes, a influência da chuva e do vento, erosão, o convívio entre espécies e principalmente a função que as árvores desempenham em todo esse conjunto. A visita serviu ainda para ampliar o questionamento quanto às funções ecológicas que as árvores cumprem.

Troca de experiências - Durante a tarde, de volta ao centro de eventos, os grupos foram convidados a analisar o papel desempenhado pelas árvores na mata e relacionar isso com o papel que elas podem exercer na agricultura, na propriedade de cada um deles. Entre os assuntos levantados e socializados estavam, a rearborização dos seus espaços, as espécies plantadas e suas funções e o manejo da mata presente na propriedade e como ela é usada para o fortalecimento da agricultura. Durante o momento rico e de troca de experiências, os agricultores e agricultoras mostraram situações e exemplos vividos por eles mesmos. “Já coloquei muita mata abaixo com meu pai quando eu era jovem, coisa que eu não faria hoje. Esse encontro é um momento muito importante para abrir nossos olhos e os olhos dessa juventude”, afirmou Domingos de Barris, conhecido como seu Loro, agricultor da comunidade Cachoeira de Pedra Dágua, de Massaranduba, Agreste da Paraíba.

Rede de Viveiros do Polo da Borborema - A rede de viveiros do Polo da Borborema tem capacidade instalada para produzir 130 mil mudas por ano, de mais de 100 espécies entre florestais, frutíferas, forrageiras e medicinais. Fundada em 2010, a experiência da rede foi apresentada pela agricultora e integrante da rede de viveiros Maria da Penha Batista. Os participantes do encontro puderam perceber a importância da rede na manutenção das matas nativas, no fortalecimento da reflorestação e em como os intercâmbios, formações e oficinas através da rede “são importantes no incentivo dos agricultores na preservação da natureza e diminuição da devastação”, como disse a própria Penha.

Após esse momento, foi feito um balanço final do encontro. Os agricultores fizeram apontamentos sobre momentos importantes do dia e elencaram encaminhamentos como fortalecer e divulgar os trabalhos de arborização que vem sendo feitos no Polo da Borborema; formações sobre armazenamento e conhecimento sobre sementes, além da possível produção de material de divulgação da rede de viveiros que sejam colocados nos sindicatos.

O Encontro Regional de Cultivos Agroflorestais do Polo da Borborema está inserido no conjunto das ações do Projeto Terra Forte, que tem o objetivo de contribuir para a reversão e prevenção dos processos geradores da desertificação e do empobrecimento da população no semiárido brasileiro. O Terra Forte é realizado pela AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia em parceria com o Polo da Borborema, PATAC e os Agrônomos e Veterinários Sem Fronteiras (AVS) e é cofinanciado pela União Europeia.

Da assessoria/AS-PTA

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