Filme que teve sete de gravação em Lagoa Seca é exibido no 47º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro...

Desde que recebeu uma ligação interurbana, comunicando que o seu filme foi selecionado para o 47º Festival de Brasília, o cineasta paraibano Taciano Valério vive num estado pleno de felicidade. O projeto demandou de mais de um ano para que a obra total fosse finalizada. O filme se chama Pingo d’água, é o terceiro filme da identificada Trilogia Cinza e será exibido nesta sexta-feira, 19, às 21h30 no palco do Cine Brasília. 

Segundo o diretor, o filme que será apresentado aos críticos especializados do cinema, será um divisor de águas por impactar em relação à diversidade e linguagem que será exibida. O filme Pingo d’água foi gravado nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Paraíba (em Campina Grande e Lagoa Seca).

Sobre a produção propriamente dita, o diretor acrescenta que predominou um clima de absoluta interação entre elenco e direção. “Pingo D’água”, para ele, fecha a trilogia e diz muito, da melhor maneira possível, como e principalmente o que e com quem deseja trabalhar, seu modus operandi enquanto flexibilidade de diretor que se ‘dobra’ em nome de um espírito coletivo: “Usei a dobra das minhas ideias em conexão com o grupo. Não havia um, mas um grupo. Houve um respeito absoluto pela minha maneira de dirigir, respeito da equipe técnica, respeito e compreensão dos atores principalmente. Fizemos o que queríamos”, resumiu.

Todos os filmes são filmados em preto e branco e retratam em um primeiro impulso, um caminho em busca da ficção na realidade, e, então, no ato de filmar, o encontro da realidade na ficção. Este último trabalho da trilogia se faz de um jogo de seres e de símbolos, onde os atores são autores da própria obra que os conduz.

O diretor Taciano Valério, diversas vezes premiado por seus documentários e curtas, quando perguntado da sua transição das produções voltadas aos documentários para a produção ficciona, relata: “Acho que eu pertenço a um momento, uma época de perda de identidade. Eu, particularmente, transito pela incerteza, pela inquietação. Isso é próprios nos curtas, e já nos longas. Sai da literatura e fui aos poucos para o documentário, mas acho que sempre fiz ficção e sempre tratei do real e do imaginário de maneira livre, as vezes poéticas, outras vezes caótica”.

Sobre possíveis receios em relação ao que a crítica dirá amanhã no debate, aqui em Brasília, Valério reitera ser uma ”pessoa avessa a compadrios, mídia e de grupos”. E sobe o tom para esclarecer: “Não chupo o ovo de ninguém. Sou um operário, e corro com as minhas ideias e com alguns comparsas. Por outro lado, a critica já se manifesta de maneira coerente falando sobre um cineasta de autoria, singularidade, etc... Quanto ao filme, este é uma obra de arte”. 

De nossa parte, só nos resta desejar toda sorte do mundo ao paraibano e sua equipe, que logo mais às 21h30 sobe ao palco do Cine Brasília para apresentar seu filme que será visto, pela primeira vez, pelo maior número de críticos e de um público de gosto refinado, exigente e politizado.


Ficha Técnica:

Sinopse
De estrutura entrecortada e filmado em três cidades brasileiras muito diferentes umas das outras, Pingo d’água é um filme que mostra o deslocamento no espaço como busca de uma outra identidade, e o ato de viajar, como olhar para dentro de si. Uma obra de atmosfera intrigante e envolvente, de imagens que evocam de forma simples e real, mistérios da natureza humana como a dificuldade nos relacionamentos, o medo e a libertação pessoal.

Elenco
Elenco: Melissa Gava, Verônica Cavalcanti, Everaldo Pontes, Jean Claude Bernardet, Dellani Lima, Duda Lopes,Paulo Phillipe, Valter Bahia, Thera Blue.

Diretor
Taciano Valério, é autor da Trilogia cinza, que se encerra com Pingo d’água e inclui os filmes Onde Borges tudo vê e Ferrolho.

Créditos
Produtora: Autorias Filmes
Produção executiva: Hipólito Lucena e Taciano Valério
Roteiro: Taciano Valério
Fotografia: Breno César
Montagem: Cesar Pinheiro
Som: Giancarlos Galdino
Direção de arte: Breno César
Cenografia: Duda Lopes
Figurino: Hipolito Lucena
Trilha sonora: Daniel Nunes
Música original: Rangel Junior

Da redação,
com assessoria

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